Sentada aqui de lareira acesa na esperança de aquecer os pensamentos que te quero escrever. Escusadas são as palavras que não irias entender, resumo-me apenas àquele estranho sentimento de não gostar de te ver sofrer...Noites sem dormir, passadas à beira da lareira...no parapeito da janela....eu sei lá, tantos foram os sítios que consegui encontrar. Passaram, no entanto, não desejo que voltem.
Tantos foram os pensamentos que se iam neutralizando uns aos outros, até agora só restar a vontade de, nada mais do que uma estranha habilidade de não me deixar ficar.
Belas, as questões...pertinentes, mas sem resposta, igualo-as a tudo aquilo me faz sofrer: 0! ponho-lhes os pés em cima e desaparecem...
Vês esta mão? Agarra-a, que mais não seja para dizeres que algum dia a tua mão tocou na minha...
Bora lá voltar a esses campos onde tudo um dia teve aquela luz própria, onde as auras não tendiam para a extinção.
Assim, assino esta carta meu amigo...

