A vida não poderia nunca correr pior, nem que fosse pensada ao pormenor ou pintada de cores agonizantes …exagerada, talvez quando inesperada possa tomar essa forma, mas não assim com este aspecto, sem chegar ao cúmulo da anacronia, morreu ao pensar que podia naquele dia ser diferente, quando era apenas mais um dia que lhe passava e sorria com aquela ironia contagiante que puxa para o lado da fantasia.
Era a vida não vivida que fazia as delícias da ignorância de não saber ao menos como teria sido…não teria porque foi extraviado e na vida não há perdidos e achados apenas silêncios que se encaixam no orgulho de cada um e se perdem na memória do tempo – na história.
E é lá fora quando o sangue me gela que perco a razão e penso: das duas uma ou a minha acuidade visual está de novo a ficar duvidosa e preciso de lentes novas para divisar melhor os cantos às coisas ou a filha da mãe da vida saiu porta fora e foi morar para outro lado!
Leveza ou peso, chamemos-lhe os dois por culpa da ambiguidade que a causa proporciona e se de facto o eterno retorno se verifica mesmo, a vida então não deixa de ter mais sentido por isso porque de encontro a esse retorno eterno vai a mesma conclusão de viver tão sem sentido que repeti-la dá apenas vontade de vomitar mas depois por essa lógica ainda retornava para vomitar indefinidamente como se o amanhã fosse uma mera cópia do presente, i.e., “como se não houvesse amanhã”… E do lado oposto da vida que nos prega partidas mas volta sempre para recompensar, está este lado…em que nada disso acontece, nada disso é ensaio porque nada disto é teatro…é como fazer um desenho com um caneta e não ter como apagar aquilo que, sem querer, errámos…mas errámos com classe, porque acabámos de nos condenar a qualquer coisa que se sente o cheiro mas não se sabe bem o que é…porque de facto não tem forma.
*Imagem: deviantart.com