domingo, 4 de novembro de 2007

Numa de poesia...

Desta agitação para a calmaria que apenas o meu próprio sorriso me pode dar, arrumados os trapos da melancolia, ainda os consigo ver por ali a rodopiar. Desconheço, a virtude de tal sentimento e tão pouco aquilo que o faz crescer...folgando de noite, durante o dia é assim que me apresento, na esperança de algum dia aprender a viver. E são muitos, os sorrisos que te posso dar....nenhum deles, no entanto, é capaz de igualar aquele que apenas a tua presença era capaz de despontar.
Erguem-se, porém gritos de ajuda......de poetas sem fé, amores sem cura...o que faz de ti, poesia, a mais fina e pura, sensação de estética que agora posso ter.

Saudades! Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar

Mais a saudade andasse presa a mim!

(Florbela espanca, Saudades)

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