terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A um poeta


Longe do estéril turbilhão da rua,

Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gémea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

(A um poeta, by Olavo Bilac)

sábado, 26 de janeiro de 2008

For there are no angels...


(Imagem: Lost in the crowd, by melvinkobe, deviantart.com)


Estais perdidos e, não vos consigo encontrar! Aquele sonho que um dia vos alegrou assombra-vos agora. Sois ninguém, não têm história a única que me podeis contar é a de que um dia me sonharam...Sonharam-me!
Mas esta realidade perturba-vos e não sabeis o que fazer, quando as palavras que me quereis dizer ficam presas ou demoradas nas vossas bocas porque já não sabeis o que quero ouvir.
Não pertenceis aqui ou a lado nenhum se quiserem, nem a vós já pertenceis, sois aquilo a que chamam nada, sois o vento na minha cara e eu sem acordar.
Que suplicio é ver-vos como sois, quando há muito tempo via aquilo que eram comigo.
Aquela flor murcha que plantaram por sentirem a falta de ver os sem vida como vós: estranha, solitária, fria...
...[Mais] Uma orquídea que morreu...


"We fight for peoples lives right?
Do you ever wonder who it is we're fighting with?"
(City of Angels)


sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Desert Rose

(Apenas) Para Descontrair, porque também precisamos:



I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in vain

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Calma, Consciente, Orientada...

...Na resolução que faço de mim! lúcida (talvez), de novo, nessa estrada, que percorro só para me sentir feliz.
Arrastando o relógio gigante do tempo, aquele com que conto os vossos ciclos de respiração...arritmica, sibilante...quero esse olhar consciente quando vos digo "morreram indefinidamente!"...

(Trabalho duro...Hospital...!)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Flightless Bird



Simplesmente bonita...! Como é bom estar vivo...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Excertos

Achei bonito quando o li...de facto é boa a sensação que uma mulher pode ter, por ser assim tão importante em dadas alturas, a todas as mulheres...e homens também:

"Quando a dor no peito me oprime, corre o ombro, o braço esquerdo, surge nas costas, tumifica a carótida e dá-lhe um calor que não gosto; quando a respiração se acelera em busca duma lufada que a renasça, o medo da morte afinal se escancara (medo-mor, tamanha injustiça, torpeza infinita), aperto a mão da Irene, a sua mão débil e branca. Quero acordá-la. E digo : «não me deixes morrer, não deixes…» Penso para comigo, repito para me convencer: «esta pequena mão, âncora de carne em vida, estas amarras suas veias artérias palpitantes, este peso dum corpo e este calor, não me deixarão partir ainda…» E aperto-lhe a mão com força, e acabo às vezes por adormecer assim, quase confiante, agarrado à sua vida. Ah, são as mulheres que nos prendem à terra, a velha terra-mãe, eu sei, eu sei ! São elas que nos salvam do silêncio implacável, do esquecimento definitivo, elas que nos transportam ao futuro, à imortalidade na espécie (nem teremos outra) pelo fruto bendito do seu ventre (eu sei, eu sei…)"

Excerto de "Comunidade", Luiz Pacheco.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Mama



(In)quieta como o som arrítmico dos passos desajeitados que vou dando, são as sílabas das palavras que vou deixando. Segredo-vos um grito ao ouvido, vendo-vos assim os meus pensamentos, que de antigos e poeirentos apenas se vêem agora vestígios.

*Sempre gostei dessa musica, finalmente ontem encontrei o nome...uma daquelas que ouvimos em pequenos e que não esquecemos...Saudações!

sábado, 5 de janeiro de 2008

Hotel California



Bem...mas que versão mais louca! Musica por Majek Fashek, como diz o autor do vídeo e, vídeo com fotos de Bob Marley. Enjoy it!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

(2008, by schnurpelchen18, deviantart.com)

Sorri...e do sorriso fiz vontade,
se de todo o lume que arde
acaba por vir o calor até mim.
E sentir que o fogo invade qualquer canto gélido
que algum dia existiu aqui.
Sorri...não por pena, nem piedade
Sorri por vontade de ser vida
agora e aqui.
Fui de mãos dadas com o sorriso
que saiu de mim.
Sorri...dona da minha lucidez
que sem cerimónias nem porquês
ousei sorrir assim.
Sorri...já era tempo de poder sorrir de novo
assim.

Um Bom Ano para todos, que com este post inauguro, espero que também de sorrisos tenha sido a vossa passagem.