terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A um poeta


Longe do estéril turbilhão da rua,

Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gémea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

(A um poeta, by Olavo Bilac)

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