
- Existem várias possibilidades..
- Quantas ao certo?
- Várias...contadas pelos dedos invisíveis do tempo...
- Desconheço tal conceito.
- Também eu, mas existem e não são apenas cinco...
- E com que fundamento dizes isso?
- Com o fundamento de nunca os ter visto, o que os torna mais prováveis...
- Ah! metafisico estou a ver...
- Não, apenas invisível, como na ciência as partes mais importantes são as que não vemos.
- Esqueci-me que eras cega!
- Pois...
- Não faz mal...por momentos também eu esqueci que era isso...
- Cega?
- Não...parva!
...
Apeei-me e a simplicidade dos passos traduziu-se num chegar solitário ao outro lado do quarto, enquanto a noite fazia esquecer que lá fora, há algumas horas atrás, existira de facto um mundo que voltaria a chegar amanhã de manhã pela hora em que eu dormia e desapareceria, também a tempo de eu o não ver.
Achei que era estranho, mas calei-me perguntar o porquê ao silêncio não me pareceu enfim...honestamente possível, seria tirar-lhe a sua natureza e pedir-lhe para deixar de ser o silêncio.
Aumentei a parada, e em vez de ficar à espera que algo me caísse em cima, como Newton. Fugi dali, sem dizer nada e tendo o silêncio como testemunha.... que fuga mais bem consumada.
Nunca me esqueci da estrada que me levava até aí...ou talvez os pés soubessem o caminho melhor que eu e deixei-me apenas levar...quando achei impossível parei dei meia volta e aqui me vês...sentada, a contar as estrelas pelos acordes da guitarra.
- Que fazes amanhã?
- O mesmo que hoje...
- Como consegues?
- Não consigo, faço porque sim...como faço "porque sim" milhões de outras coisas.
- Um café à beira da praia?
- Achas???
- Porque não?
...
2 comentários:
Olá Pólvora, Belas musicas, belos texto, um excelente blog.
beijos
João Costa Filho
Pólvora, desculpa o trocadilho. Mas venho confirmar que teu texto está mui belo.
Beijos
João Costa Filho
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