domingo, 18 de maio de 2008

Oldies

(Old, by luclak, deviantart.com)


São velhos e da terra já colheram muito. Eu nunca tive de pedir nada, dizem com o ar arrogante de quem nunca teve muita coisa também, porque nunca souberam a verdadeira diferença entre pedinchar e pedir ajuda.

São velhos seja-lhes dado o devido desconto, o da idade. Quando pensamos que podemos aprender com eles, salta-nos à vista a verdadeira essência do seu ser, o orgulho quase bárbaro e decadente que aos olhos dos outros se transforma na mais estranha forma de agonia: no meu tempo não era assim.

Emanam estranhas filosofias que faziam sentido há algum tempo atrás, agora não são mais do que o estranho desafio de trazer o passado para o presente e o fazer revelar-se no futuro também, ignorando que não é preciso evocar o passado para que ele nos caia em cima a qualquer momento.

Vão vivendo, certezas? Têm já muitas e eu apenas uma, a morte, não há nada mais certo que isso, mas o destino é radical nestas coisas, acusa-nos de termos seguído o caminho que queríamos para que as coisas surgissem aos nossos olhos assim, com fraqueza, o destino é talvez a maior incerteza que tenho de certeza em mim.

São velhos, e alguns enchem-nos de coisas boas, o cheiro da feijoada acabada de fazer, o jogo da malha que gostávamos de ver...outros são simplesmente assim, pagam-nos com aquilo que têm de mais valioso para eles e, por defeito [talvez], não faz o meu género, não sendo eu prostituta da vida mas sim aquela que tem poder sobre a mente estranha que me deram ao nascer [Shiuuuuuuu....não digas a ninguém].

Esqueço-me de contar as rugas nas suas caras, porque já tantas são que não as distingo, mas fazem daquele vosso alegre olhar, o mais triste genótipo daquilo que de facto é o vosso presente. A bengala precisa agora de ajuda para andar e a paciência já não é o que era, ou talvez nunca o tenha sido.

Velhos são os trapos, que bonita, a frase feita do dia, com a qual tento acalmar os relógios impedindo o tempo de passar e, com sete pedras na mão acolhem-me à entrada do portão, naquilo a que chamo o eterno regressar da vida ao seu caixão.

There's really no country for old man and they know it.


*Alguém da família me deu algo hoje........e para quê? Apenas para me fazer escrever isto.


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